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O Gatinho Xadrez
Era
uma vez, um gatinho xadrez...
Vivia chateado,
Quando o chamavam para brincar
Ficava todo desconfiado
Já pensando na gozação,
Em seu canto quieto se escondia
Até que um dia,
Um pequeno periquitinho verde,
Ao notar a tristeza do gatinho
Foi se aproximando com cautela,
Com medo de virar merenda
E ir parar na goela do gatinho,
Disse bem de mansinho:
- Oi, gatinho xadrez!
- Posso chegar mais perto?
- Olhe, eu sou o periquitinho verde.
- Se você quiser, eu posso dizer a sua sorte.
- Não precisa pagar.
- Nem girar a manivela do realejo.
O gatinho ficou espantado e perguntou:
- O que é realejo?
- Por que você quer ver a minha sorte?
E o periquitinho respondeu:
- Realejo é uma caixa quadrada.
- E se girar a manivela toca música.
- Eu quero ver sua sorte, porque achei você bonitinho.
- E queria saber a razão da sua tristeza.
O gatinho xadrez disse bem depressa:
- Todo mundo ri de mim.
- Vivem me gozando.
- Quando me chamam para brincar.
- É só para arreliar com a minha cor xadrez.
- Dizem bem alto;
- Você errou, agora é minha vez!
- Quem quer brincar de talvez!
O periquitinho ficou sem entender e perguntou:
- O que é brincar de talvez?
O gatinho xadrez disse:
- Talvez é algo que não é, mas é.
- Ora, talvez, é talvez.
E o periquitinho sem nada entender, ficou quieto.
O silêncio deixou o gatinho curioso e bem depressa perguntou:
- Você, gosta de mim?
- Você, acha que eu sou bonitinho?
- Você, quer ser meu amiguinho?
O periquitinho, respondeu bem depressa:
- Talvez.
- Talvez.
- E talvez
O gatinho ficou aborrecido e chorando perguntou:
- Por que você está fazendo isto comigo?
- Pensei que você seria meu amigo.
O periquitinho muito sério, respondeu:
- Talvez, por que você não entendeu a brincadeira do talvez.
- Olhe, vou explicar direitinho;
- E para você entender, vou falar bem devagarinho;
- Quando os seus amiguinhos brincam de talvez,
é
por que quando perguntam se a sua cor é branca, ou é preta?
- Você, responde talvez.
- Da próxima vez, que os seus amiguinhos perguntarem a sua cor.
- Responda bem alto, diga sem medo;
- Sou um gatinho xadrez.
O gatinho xadrez, pensou... pensou
e entendeu que a brincadeira dos amiguinhos
tinha nascido da dúvida que ele mesmo tinha de sua cor.
Não sabia se era da
cor branca,ou da cor preta.
E foi lembrando da cor de todos os seus amiguinhos,
tinha a gatinha malhada, o gatinho cinza, o gatinho preto,
o gatinho branco e
até um gatinho azulado.
E rindo muito de sua antiga preocupação, prometeu a
si mesmo
que de hoje em diante seria ele mesmo, um gatinho xadrez.
Não se
importaria mais com as brincadeiras
do mal-me-quer e bem-me-quer feito com suas
cores.
Ele descobriu que a melhor forma de participar das brincadeiras,
era
criando novas brincadeiras.
E pensando nas cores dos amiguinhos, riu muito do
que iria aprontar.
Quando ia contar para o periquitinho de sua descoberta,
o
periquitinho já tinha ido embora para ver a sorte de outros bichinhos,
ficou,
apenas, uma música alegre no ar
e o gatinho todo alegre a dançar e cantar:
- Quem quer brincar de talvez?
- Você errou, agora é minha vez!
- Adivinha a cor do gatinho que anda de tamanco?
- Será que é branco? Talvez!
- Adivinha a cor da gatinha que usa a escada?
- Será que é a malhada? Talvez!
- Adivinha a cor do gatinho que não sabe nada?
- Será que é a azulada? Talvez!
- Adivinha a cor do gatinho xereta?
- Será que é preta? Talvez!
- Adivinha a cor do gatinho xadrez?
- Adivinhou, a cor do gatinho xadrez, é xadrez.
E
com a estória do Gatinho Xadrez,
nós aprendemos que somos nós mesmos
quem
fazemos a nossa sorte, aprendendo
a conhecer nossas qualidades e defeitos,
sabendo aceitar nossas diferenças e,
principalmente,
participando com alegria
da amizade de nossos amiguinhos.
Ramoore
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CANTINHO DA RITINHA
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