Amor de Mãe...
Tenho andando em meios insólitos do descaso Encontrado sem o verde de minhas esperanças No amarelo doentio de almas presas ao acaso Do desatino colocado como destino em crenças Nos dogmas humanísticos apregoados sem ter fé Da renovação que se faz presente a cada reflexão Procuro da verdade compreender do andar a pé Sinto das pedras no caminho o tempo na solidão Criando em marcas indeléveis do ato em pecado Nas juras causando perjúrio deixo para o amanhã Procurar na areia os passos pisados de um passado Já nem sei se ando ou tropeço em mãos sem afã Da sobrevivência busco esquecer a dor da partilha Criada sem tributos gerando atributos sem liberdade No livre arbítrio egoísta separado em distinta malha Descubro da incapacidade na ação da tal sociedade Entre a Cruz e a Espada eternizando dos descaminhos Isolando dos males e bens em conquistas interiores O pulsar de minha vida tão contaminada de espinhos Ainda deixo da flor enfeitar a mesa posta de horrores Da degradação feita por suas mãos aceito da agressão No equilíbrio de minha gestação estou sempre a parir De minhas contrações a vida renasce do sim e do não Sempre permito ao renascimento o poder de decidir Da transformação em nome do progresso sinto seu choro Do estar lado a lado com olhos fechados não vejo da luz Faço do meu lamento o alerta de não agir sem decoro Não julgo apenas preservo a vida que minha ética conduz E lembre-se que continuarei viva em cada partícula Que você lançar ao espaço E solta no espaço Continuarei gerando e parindo você... Mãe-Terra.
Ramoore
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